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Patricia Faria

Patricia Faria

E, de repente, a vida muda

15.03.20, Patricia

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Tenho a sorte de trabalhar numa empresa que, atempadamente, adoptou a política do teletrabalho. Confesso que na altura achei a decisão um pouco precipitada. Estava longe de imaginar que o COVID-19 iria tomar estas proporções. Mas, a partir do momento que me mandaram para casa, fiquei em casa. A única excepção foi ontem, para uma inevitável ida ao supermercado. E se soubesse que ia ao supermercado para ver uma autêntica selvagem aos pontapés à fruta por já não haver álcool... Provavelmente teria adiado a minha ida, pois sinto vergonha alheia neste momento. Desumano. O que também é desumano é a forma como o país está a lidar com esta pandemia. Eu não lido directamente com o público na minha profissão - e estou em casa. Porque raio é que os transportes públicos continuam a andar? Sendo que a grande maioria não é sequer desinfectada como deveria ser. Porque raio é que os centros comerciais precisam de continuar abertos? Porque raio se fecham escolas mas os miúdos, inconscientes, enchem praias? Porque raio os bares continuam abertos? Porque raio as pessoas viraram selvagens que açambarcam supermercados e farmácias? Podia continuar, mas vocês percebem onde quero chegar. 

Pensem nisto: agora, mais do que nunca, temos que ser uns para os outros. Temos que cuidar uns dos outros. E para cuidar, quanto mais depressa nos afastarmos mais depressa nos voltaremos a abraçar. Este país já devia estar completamente parado, pelo menos 15 dias. Porque ninguém é mais que ninguém e neste momento todos nós devíamos ter o mesmo direito e obrigação de estar em segurança. Se a situação actual me assusta? Sim, muito. Mas acredito também que depois da tempestade vem a bonança e é preciso muita calma, confiança e fé nos tempos que se avizinham. Esperar o melhor enquanto nos preparamos para o pior. E, por favor, fiquem em casa!