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Patricia Faria

Patricia Faria

O privilégio de viver no campo

16.02.19, Patricia

Sábado de sol. É meio caminho andado para estar bem disposta. Escrevo este post sentada na minha varanda, a aproveitar cada raio desta luz boa. Como barulho de fundo tenho pássaros e a Catch & Release, do Matt Simons. No outro dia, em conversa com uma amiga, falávamos do quão privilegiadas somos por viver no campo. É curioso, este jeito que o tempo e a idade têm de nos moldar. Lembro-me que, até aos 18 anos, o meu plano de vida passava por estudar, arranjar trabalho e mudar-me para Lisboa. O sonho era cortar relações com o campo. Isto era a Patricia de 18 anos. A Patricia de 21 anos sente-se uma privilegiada e já não troca o campo por nada. Há qualquer coisa neste ar do Oeste. Gosto de saber que, no final de um dia agitado, tenho um sítio calmo para onde voltar. Gosto de ter espaço, de morar numa casa grande. Gosto de saber que em meia hora tanto posso estar na confusão de Lisboa como a dar um mergulho no mar de Peniche. É bom saber que em dez minutos estou no ponto mais alto da Serra de Montejunto. Enquanto estudei em Lisboa, senti que a ideia que as pessoas tinham do campo era o equivalente a morar no fim do mundo. Lamento desiludir-vos. O campo não me trouxe amarras. Trouxe-me liberdade e qualidade de vida. O ar é mais puro por aqui. Tudo se cultiva - a comida vem do quintal (do nosso ou dos vizinhos) para o prato. Ainda se cumprimentam as pessoas na rua. A vida acontece com uma calma diferente. A sensação de segurança é outra. Podia continuar, mas deixo ao vosso critério.

Acredito que, na vida, há um tempo para tudo. Consigo imaginar-me a começar a minha vida numa cidade, sim (embora não seja Lisboa, disso continuo certa). Mas também sei que, no dia em que as minhas prioridades mudarem e entrar no papel de mãe, vou querer que os meus filhos vivam no campo e que se sintam tão bem ou melhor que eu.

 

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